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Região de Campinas tem aumento de recusas familiares para doação de órgãos em 2025; veja maiores filas de espera por transplante
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Espera por transplante de órgãos cresce em SP; recusas de doações também têm alta
A região de Campinas (SP) registrou, entre 2024 e 2025, aumento nas recusas familiares para doação de órgãos, passando de 94 para 106 registros. Paralelamente, dados de fevereiro deste ano revelam uma fila de pelo menos 2 mil pessoas à espera de um transplante na região.
O cenário se repete no estado. O total de recusas familiares passou de 742 para 748 no mesmo período. A lista de espera estadual por transplantes, por sua vez, somou 27,8 mil pacientes em 2025, uma alta de 11,5% em relação ao ano anterior.
O que explica o aumento?
A coordenadora do Serviço de Transplante Hepático da Unicamp e vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos traz algumas hipóteses para o aumento das recusas para doação.
"Claro que tem o sentimento de luto, que é muito forte, cada um vivencia o luto de uma maneira, então isso a gente sempre tem que levar em consideração. Mas uma grande parte é não acreditar no procedimento ou ser levado por fake news, como a gente hoje sabe bem, uma conversa aqui e uma conversa ali", explica Ilka Boin.
Ela frisa que existe um protocolo extenso e seguro para confirmar a morte cerebral. "Não existe mais irrigação do sangue que é oxigenado para dentro do cérebro, então vai ter um stop, mais ou menos nessa área do corpo, que é onde a gente fala que vai redistribuir o sangue para o cérebro", detalha.
Doação de órgãos pode salvar vidas
Hospital São Vicente/Divulgação
Recomeços
No caso da estudante Keyla Gonçalves, a doença nos olhos foi diagnosticada há dois anos. "Fomos na Unicamp e descobrimos que eu tenho ceratocone, que é quando a córnea da pessoa vira em formato de cone e pode acabar perfurando ali, fazendo a visão piorar".
Ela recebeu, então, a indicação para transplante. Atualmente, Keyla aguarda uma doação em uma fila com 1.595 pessoas, totalizando, em média, seis meses de espera. "Com muita confiança que vai dar certo. Vou voltar a enxergar tudo", diz, esperançosa.
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Na época da indicação do transplante, o aposentado Roberto Alves conta que sentia muito cansaço, bem diferente do senhor de 67 anos, que hoje adora andar de bicicleta e transborda em gratidão.
"A família que vai dar o sim para aquela situação. Então é muito bom conversar em vida, poder falar que é a favor, que gosta, que quer ver. Eu, por exemplo, se eu não tivesse o sim daquela família naquele momento, eu não estaria aqui hoje falando com vocês", afirma.
O que diz o Estado
"A Secretaria de Estado da Saúde (SES) realiza diversas campanhas de conscientização que são o melhor método para abordar e informar sobre a importância da doação de órgãos. Esse caminho elucida aqueles que demonstram não ter convicção em ser um doador e assim essas campanhas objetivam diminuir os altos índices de rejeição à doação. Além disso, as equipes que atuam nas Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) são treinadas para conduzir este processo, para compreender o que a pessoa pensava em vida, se já havia manifestado opinião sobre doação, e também esclarecer dúvidas da família sobre o tema.
O Programa TransplantAR, iniciativa pioneira do Governo de São Paulo é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), lançada em setembro de 2024, que reúne esforços para acelerar o resgate e o transporte de órgãos em todo o País. Pelo programa, proprietários de aeronaves privadas podem doar horas de voo para apoiar a captação e o deslocamento de equipes médicas e órgãos destinados a transplantes, ampliando a chance de sucesso na realização dos procedimentos cirúrgicos. Desde o início do programa, já foram realizados 92 voos, que contribuíram para o transplante de mais de 90 órgãos, entre eles corações, pulmões, fígados e pâncreas".
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