MP investiga promotor que desistiu de ação contra Monark por fala sobre nazismo

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
Monark, apresentador do Flow Podcast Reprodução/YouTube/FlowPodcast A Corregedoria-Geral do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga o promotor de Justiça Marcelo Otavio Camargo Ramos por ter recuado da ação civil pública movida contra o influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark. O influencer defendeu durante um programa ao vivo que o Brasil deveria ter um "partido nazista reconhecido pela lei". Ramos contrariou a petição inicial do próprio MP. A portaria para instaurar uma reclamação disciplinar, assinada pela corregedora-geral Liliana Mercadante Mortari, afirma haver indícios de que a atuação de Ramos foi "institucionalmente questionável", podendo configurar uma "forma indireta de desistência da ação" – hipótese vedada no regime jurídico da tutela coletiva. O órgão investiga se houve descumprimento do dever funcional de zelar pelo prestígio da Justiça e pela dignidade das funções do Ministério Público. Em resposta à Corregedoria, a defesa de Ramos pede o arquivamento da reclamação, argumentando que a manifestação do promotor foi "devidamente fundamentada". (Leia mais abaixo.) Procurada, a Corregedoria-Geral do MP disse que o procedimento tem natureza preliminar e objetivo de verificar, de forma técnica e isenta, a eventual ocorrência de falta funcional. Em nota, o órgão disse que a apuração está em fase inicial e poderá resultar em arquivamento ou processo disciplinar caso sejam identificados indícios suficientes de infração. MP-SP pede que Youtube retire do ar vídeo de Monark sobre nazismo e determina que Polícia Civil abra inquérito para apurar crime Indenização de R$ 4 milhões A ação original foi ajuizada em março de 2024, buscando uma indenização de R$ 4 milhões por danos morais coletivos em razão das declarações de Monark dadas em 2022. As falas geraram ampla repercussão à época, resultando no desligamento do influenciador do programa e em investigação policial. Em manifestação publicada em 31 de março, o promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos pediu que a ação fosse julgada improcedente. Para ele, uma análise mais ampla do contexto do debate mostrou que o influenciador não fez apologia ao nazismo nem defendeu o antissemitismo, mas expôs de forma considerada "equivocada" sua visão sobre os limites da liberdade de expressão. Após a manifestação polêmica de Ramos, o MP-SP trocou o responsável pela apuração. O promotor Ricardo Manuel Castro assumiu o caso em abril e voltou a pedir a condenação de Monark. O processo segue tramitando na 37ª Vara Cível de São Paulo. Nesta semana, a defesa de Monark submeteu ao Conselho Nacional do Ministério público um pedido de investigação contra o procurador de Justiça responsável pela substituição do promotor responsável pelo inquérito que apura o suposto discurso de ódio do influenciador. "Nós fizemos essa reclamação disciplinar apontando indícios de que o promotor tenha sido afastado como forma de retaliação por exercer o seu ofício ao pedir a absolvição do Monark. Na época, nós nem sabíamos que, ainda por cima, tinha sido aberto um procedimento disciplinar contra o mesmo promotor, pelo mesmo motivo, o que corroborou mais ainda o que nós dizíamos", disse ao g1 o advogado Hugo Freitas Reis. Investigação na corregedoria Na portaria que instaurou a apuração, em 9 de abril, a Corregedoria sustenta que o pedido de improcedência da ação foi baseado exclusivamente em "convicção jurídica pessoal" do promotor, sem indicação de fato ou prova nova nem deliberação formal da instituição. O órgão argumenta que a independência funcional não é absoluta e não autoriza o que chamou de "reversão voluntarista de pretensão institucionalmente deduzida". A Corregedoria destaca que a ação original foi devidamente instruída com pareceres antropológico, psicológico e socioassistencial que caracterizaram as falas de Monark como discurso de ódio. E ressalta que a atuação do MP não pode ser "errática, contraditória ou personalista", sob o risco de deslegitimar a instituição perante a sociedade. Quem é Monark? Veja perfil do apresentador que fez comentário sobre nazismo O que diz a defesa do promotor Em resposta enviada à Corregedoria, a defesa de Marcelo Ramos pede o arquivamento da reclamação, argumentando que a manifestação do promotor foi "devidamente fundamentada, com respeito à técnica e à independência funcional" e exercida dentro da autonomia assegurada pela Constituição Federal. Ele também afirma que, diferentemente da desistência, o pedido de improcedência envolve análise de mérito. O promotor argumenta que sua manifestação ocorreu após a análise da contestação do réu e que não poderia "fingir convicção diversa" apenas para manter uma aparência de continuidade institucional. A defesa lembra que o próprio MP, na esfera criminal, já havia reconhecido a ausência de intencionalidade criminosa nas falas do influenciador. A defesa também sustenta que não há norma que obrigue o promotor a manter a mesma posição da petição inicial. "A independência funcional não possui caráter meramente simbólico. É prerrogativa concebida precisamente para impedir que o agente ministerial sofra constrangimentos institucionais em razão do conteúdo de suas manifestações processuais", diz trecho do documento.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/13/mp-investiga-promotor-que-desistiu-de-acao-contra-monark-por-fala-sobre-nazismo.ghtml


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