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Madrasta e avó paterna admitem que pai acorrentava filho e também são investigadas por tortura e morte da criança
13/05/2026
(Foto: Reprodução) Chris Douglas (à esquerda) foi preso por suspeita de torturar e matar o filho Kratos (à direita). Segundo a polícia, homem admitiu que acorrentava a criança
Reprodução
A madrasta e a avó paterna de Douglas Kratos, menino de 11 anos encontrado morto dentro de casa na Zona Leste de São Paulo, admitiram à Polícia Civil que sabiam que o pai mantinha a criança acorrentada ao pé da cama. As duas também são investigadas por suspeita de tortura qualificada pela morte da vítima.
Elas não foram presas nem indiciadas pelo crime. Diferentemente de Chris Douglas, de 52 anos e pai do garoto. Na última segunda-feira (11), ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar (PM) e levado ao 50º Distrito Policial (DP), Itaim Paulista, onde acabou indiciado por tortura e morte da criança.
O g1 não conseguiu localizar as defesas das duas mulheres nem a do homem para comentarem o assunto. A madrasta tem 42 anos e a avó, 81.
Em seu interrogatório na delegacia, Chris admitiu que colocava corrente na perna do filho para impedir que ele fugisse de casa. O objeto era preso ao pé de uma cama. Ele negou, porém, que tivesse agredido ou torturado Kratos.
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Em seu depoimento à polícia, a madrasta contou que estava vivendo há cinco anos com Chris no mesmo imóvel. E que, durante esse período, viu o menino ser submetido ao "uso de correntes, colocadas ora pelo pai, ora pela avó".
Ainda segundo a madrasta, o objetivo era o de "impedir fugas" do garoto. Mas negou também que o companheiro agredisse ou praticasse "outras violências" contra Kratos.
Já a avó não confirmou em seu depoimento aos policiais que acorrentava o neto. Ela falou que seu filho, Chris, era quem fazia isso, mas negou que esse gesto fosse algum tipo de agressão ou violência. Falou ainda o menino costumava fugir e "que a criança estava muito magra após ter permanecido fora de casa" quando conseguiu escapar anteriormente.
As duas mulheres e o homem também confirmaram à polícia que as lesões que Kratos tinha nas pernas eram do uso das correntes.
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Como O caso foi descoberto
O caso de tortura contra Kratos foi descoberto depois que a própria família telefonou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros pedindo uma ambulância com equipe médica para socorrer o garoto.
O menino estaria passando mal _sem reação e "molinho", segundo os depoimentos da família. Mas, de acordo com o boletim de ocorrência do caso, quando os médicos chegaram à residência, ele já estava morto.
Kratos foi encontrado caído no quarto ao lado da cama com marcas de tortura. A equipe médica ainda relatou à polícia que a criança tinha "diversos sinais compatíveis com maus-tratos, consistentes em hematomas nos braços, mãos e pernas, roxeamento nas extremidades e espuma na boca".
Segundo a polícia, há indícios de que a vítima foi submetida a sofrimento físico e mental contínuo, o que levou à classificação do caso como tortura com resultado morte.
Além da corrente usada para prender Kratos, a polícia apreendeu outros objetos na casa, como computadores, celulares, tablet e cartões de memória. A residência possuía um sistema de monitoramento interno, cujas imagens serão analisadas pela perícia da Polícia Técnico-Científica.
A pedido da investigação, a Justiça converteu na terça-feira (12) a prisão em flagrante de Chris em preventiva. Caso seja levado a julgamento por tortura com morte, o homem pode receber uma pena de 16 anos de prisão se for condenado.
O 50º DP segue investigando se a madrasta e a avó tiveram participação no crime. A polícia também aguarda os resultados dos laudos periciais, incluindo o exame necroscópico, para esclarecer as causas da morte de Kratos.
O nome do menino, segundo policiais ouvidos pela reportagem, foi inspirado no personagem do game "God of War", do qual o pai dele é fã.
Moradores da rua da casa onde o menino foi encontrado morto disseram à TV Globo que nem sequer sabiam da existência da criança. Segundo vizinhos, o pai do garoto dizia ter apenas dois filhos e nunca mencionava o menino mais velho.